Expectativa é que turistas argentinos venham em grande número para as praias gaúchas

Sexta, 30/12/2016

Por Maiara Raupp

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A temporada de veraneio se aproxima... e as expectativas para ela também! Quem vive nas praias gaúchas sabe o quanto a demanda aumenta nesta época e o quanto ela é esperada por profissionais do comércio, hotéis, restaurantes, agências de turismo, dentre outros. De acordo com o Instituto Brasileiro de Turismo em torno de 2.4 milhões de turistas estrangeiros devem vir passar a temporada no Brasil. O número representa crescimento de 11% em relação ao verão passado, quando o país recebeu 2.183 milhões de visitantes do exterior, segundo levantamento do Ministério do Turismo.

O cálculo demonstra que o período, entre dezembro de 2016 e fevereiro de 2017, corresponde a 1/3 do total de visitantes do exterior durante todo o ano de 2015 (fechado em 6,3 milhões). Isso ocorre, principalmente, devido à alta atratividade dos estrangeiros - e especialmente nossos 'hermanos' argentinos e uruguaios -  pelos destinos de sol e praia, além do fator do câmbio favorável.



Passeios agendados desde o meio do ano

 

Desde o início do mês de dezembro, a agência de turismo receptivo Aguatá Turismo já está recebendo grupos de turistas argentinos e uruguaios para conhecer a cidade e a região. Conforme o guia de turismo, Francisco Reis, entre 1 de dezembro e final de abril, serão recebidos em sua agência dois grupos por semana em Torres, com cerca de 50 pessoas cada. “Eles ficam hospedados aqui, se alimentam aqui e gastam aqui. Tenho certeza que a cidade vai superlotar novamente”, garantiu Francisco.

Conforme Francisco, os grupos - que são compostos em sua maioria por famílias e idosos argentinos - procuram como principal atrativo o city tour, conhecendo os principais pontos turísticos da cidade, a história e a cultura local. “Eles são muito ligados a história e cultura. Eles (argentinos) buscam essas informações em qualquer passeio que fazem. Além do city tour e passeios pela região, eles solicitam visitas em Canela e Gramado, Capão da Canoa, Laguna, Garopaba e Florianópolis”, informou o guia.

 


Procura por locações é alta, mas  cautela é necessária


        A procura por locações de imóveis para a temporada por parte dos turistas 'hermanos' vem numa crescente, de acordo com o delegado adjunto do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (CRECI), Juarez Espíndola. "Desde que assumiu na Argentina o presidente Macri, a vinda deles para cá vem aumentando. Porém, não dá para se empolgar muito, já que nossos irmãos argentinos estão aos poucos se recuperando de uma crise política e financeira. Com certeza eles virão em maior número se compararmos com o ano passado. Acredito que 20% ou 30% a mais. No entanto, é preciso cautela para não aumentar demais os preços  e os afugentarmos. Ganhará o público quem tiver melhor preço e qualidade em atendimento”, defendeu Juarez.  

        Para ele, os turistas argentinos que vem para Torres são geralmente famílias que tem um bom nível, que vem de regiões certas e são amantes da nossa praia. “Sem sombra de dúvidas quem pega seu carro e viaja mais de 1.000 km para tirar férias em outro país geralmente são pessoas de um bom nível e que amam o lugar que frequentam”, disse o corretor, ressaltando ainda que “é preciso eficiência em atendimento, carinho nas ruas e preço justo. Assim faremos com que voltem sempre”, concluiu Juarez.



Hotéis esperam lotação como na última temporada

 

        Para o diretor do Hotel A Furninha, Danilo Raupp, houve uma grande mudança no último veraneio, (2015/2016), quando a presença dos argentinos no hotel passou de 35% da lotação para até 60%. “Acredito que este ano deve-se repetir. Vai ser uma temporada boa para o turismo no ponto de vista da presença dos argentinos. Talvez eles não comprem tanto no comércio (roupas, eletrônicos, bazar) como fizeram no verão passado, mas devem comprar bem ainda, pois os preços no Brasil estão favoráveis para eles, pelo câmbio e pela carestia por lá”, disse Danilo, acrescentando ainda que o perfil dos argentinos que vêm são de uma classe mais alta do que em décadas passadas. “São de classe média e média alta. Por isso consomem no comércio. Uma prova disto é que a maioria vem com carro próprio”, completou ele.

        A Furninha também possui um prédio inteiro onde aluga apartamentos por temporada. Neste caso a presença dos argentinos é maior ainda: cerca de 70%. “É que o hotel já possui convênios e a presença de brasileiros é maior. Já no aluguel é mais visível a predominância dos argentinos”, encerrou o diretor.


Fonte: www.afolhatorres.com.br